sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Feliz idade

A única dor que eu sinto agora é uma maldita cólica lembrando que estou viva. Que semana. Estou feliz. Em todos os campos da minha vida. Sem o "mais ou menos", finalmente saí do estado de redoma. Apesar de parecer óbvio, a gente é o que escolher ser. 
Descobri ontem que "as obviedades podem ser muito reveladoras". E não é que é verdade? Por isso, declaro as minhas: estou completamente satisfeita com meu par romântico, minha família é incrível e eu não sei o que seria de mim sem tal compreensão tamanha, é lindo perceber que com amigo de verdade vai ser sempre a mesma coisa e que meu abraço em São Paulo tem sido recíproco, mesmo com os eventuais tapinhas nas costas. 
Ainda desconfio do mundo bonzinho demais comigo, quem não? Mas apesar de eu quase sempre me esforçar pra prestar atenção no "aqui e agora", tem sido involuntário. As coisas aconteceram quando eu finalmente decidi abrir mão e deixar elas morrerem. Eu fiz o possível pra isso tudo, mas ainda acredito que os méritos também foram de tanta gente que esteve comigo que eu só posso me considerar extremamente sortuda. Ou iluminada, como me ensinou o candeeiro. 
Talvez eu tenha descoberto tarde demais, mas o suficiente para ficar feliz por um tempo recorde: as coisas estão ao nosso favor. Não ao meu. Ao de quem quiser. Que a gente queira. Sempre. Porque o caminho é mais importante que a chegada. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tecnicamente

Tecnicamente, não éramos nada. Sem definições. Na ideia, reticências. Nossas ações baseavam-se em instinto, manifestação sexual, dependências hormonais, pele, tato, língua, saliva, suor, cérebro. Cérebro de novo. Diálogos. Zonas erógenas. Boa noite, bom dia. E ela? Tecnicamente, não éramos nada. Tudo bem, tudo mal, tomar uma decisão, tá difícil. Acabou. Voltou. E agora? Vida, arte, Deus, memória, família, ajuda, anjo, vestibular, emprego. Tecnicamente, nome e sobrenome. Pequena, lindo e baby não tão técnico assim. Tecnicamente, duas pessoas independentes. Passagem, avião, viagem, hotel, casa. A dor se fez desnecessária, tecnicamente. O drama, o talvez e o não também. Aeroporto, 36 passos. Um mais um igual a dois ou sempre mais que dois? Sem técnica, loucura. Com, alívio. Sobre a mistura, segredo. Sexoliberdadefúria. Técnica? Visualizado às 12:03. Ignora. Digitando... Alguém falou sobre sentir? Tecnicamente, nada. Só uma pergunta: o que a gente faz com a metáfora do pôr-do-sol e a luz e o dia seguinte? Bem, tecnicamente, é só uma estrela se ocultando no oeste no fim do dia...

Ele técnica, eu metáfora. 
Ele números, eu palavras. 
Ele fúria, eu sossego.
Ele pedra, eu apego. 
Ele fim, eu recomeço.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Clementine

Escolhi cuidadosamente o vestido do primeiro dia. Para começar e terminar, achei ideal. Esforcei-me para ficar atenta e escutar todo mundo mais do que minha voz interior o xingando, o amando, o odiando, o desprezando, o querendo, o rejeitando tanto. Tanto que eu só soube ser extremamente estranha, tentando parecer normal quando eu estava péssima. E lembrei do poema de Bukowski, e lembrei do quanto sou idiota, e fiquei indignada por me importar. Na mesa, leviandades. Eu não sei disfarçar. Minhas olheiras e meu corpo não negam. Eu rezei tanto pra isso ser ser um trauma daqueles que a mente bloqueia e a gente não lembra de nada mais, sabe? Quis tanto o encontrar na rua, achar bonito, e não ter nada pra lembrar... só pensar "ele podia ser o amor da minha vida" e deixar passar, como tantos passaram. E deixar passar, porque não vale a pena. Deixar passar, porque eu não aceito mais isso. E não doer nadinha, porque eu nunca o conheceria. Talvez assim eu acreditasse em alguma coisa de novo. Em mim, principalmente.

Se conselho fosse bom

E aí eu lembro do melhor conselho que já recebi na vida num momento parecido: olha o quanto você está aprendendo ou aprendeu com isso. Mas e se eu não quiser aprender mais nada? Se eu quiser ficar aqui, parada? Nem pra frente, nem pra trás... porque eu estava exatamente onde queria estar e com quem queria estar. Agora eu aprendi, cresci, evoluí, amadureci. Grande bosta.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Liberdade ↔ Paraíso

Eu estou perdida. Tristemente perdida. E de um jeito que não vejo nem estradas, sabe. É como se estivesse tudo escuro e eu só não pudesse parar de andar. Eu tenho tanto medo, baby. Tanto medo de tropeçar num buraco ou quebrar qualquer coisa. Eu nunca quebrei nada do meu corpo na vida, sabe? Sem essas metáforas. Quebrar de engessar, mesmo, nunquinha. Tenho certeza que ninguém me seguraria caso eu caísse aqui agora. Aquilo de live together, die alone faz todo sentido. Não acho triste admitir isso. (...) Sabe o que eu queria mesmo? Parar. Pedir pro mundo um segundo de descanso. Desses que a gente não pensa, não respira, não sente. A gente podia ter isso. Acho de grande utilidade. Mas no lugar, temos um apêndice! Não precisamos, mas tá lá. E pode dar muito problema. Isso explica muita coisa se você pensar direito.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Sabe o que ele me sugeriu? Um pseudônimo. Logo eu, que sempre fui tão minha! Eu nunca entendi essa dos pseudônimos. Se esconder atrás de um personagem? Meu amor, eu sempre escrevi assim vomitado. E exclusivamente pessoal. Eu não sei inventar alguém. Sei inventar outros eus, talvez. Mas isso não tem a ver com pseudônimo. Porque eu já sinto demais e sou egoísta demais pra pensar em outras dores e sentimentos além de mim. Hoje eu queria ser escritora. Dessas que fumam e só escrevem no papel. Por favor... eu nunca serei uma escritora. Na verdade, nem sei mais se jornalista. A gente é uma complicação né? Eu não saberia inventar um personagem fora de mim. É isso. E eu não tenho reconhecido os meus. Eles se recolheram pra não sofrer, pra não se expor. Tem sido chato, sabe? Mas não sei se posso fazer alguma coisa por isso. Sei lá, alguém sugou a sensibilidade, e eu não queria acreditar que foi isso aqui que escolhi viver. Você acha isso possível? Como eu pude escolher morar em um lugar que me esconde, me inibe, me engole? Talvez eu ainda tenha aquilo dos desafios dentro de mim. Como barreiras inconscientes a quais me proponho. Eu acredito diferente. Será que é ruim? Me beija, porque eu sei: a gente vai passar. As coisas ficam.