quarta-feira, 25 de junho de 2014

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Tudo que eu disser vai ser sempre a sombra, da sombra, da sombra...
porque só a gente tem noção do efeito estético imediato

Mesmo assim, não custa nada lembrar
Ou avisar, já que no meu caso, às vezes, é apropriado
sabendo que quase sempre não sou muito expressiva

Somos o eterno número par, flor só de bem-me-quer,
beijo de duende, texto de madrugada

É a conversa filosófica no ombro, e a banal no shopping
O querer mais racionalizado do mundo

O silêncio, o diálogo. Melhores juntos

Do jeito que me olha, assim, em cima de mim, dava pra uma música entalada
E então me segura... na mão, no pé, no pescoço
E eu fico sossegada

A paz quase visível no abraço
O sorriso sapeca que arranca sorriso indecente
Fácil como todo sentimento bom que
f
l
u
i

E fica.

sábado, 14 de junho de 2014

3 mil horas


Eu poderia escrever um texto de quando ele me olha a menos de 5 centímetros e divide comigo um espacinho de oxigênio. Ou poderia falar dos 2/3 que sobram da cama pra gente se apertar num canto e acordarmos quebrados. Poderia dizer da facilidade de dormir em menos de 7 minutos no seu ombro. Ou até mesmo das 29 batidas de coração em mudo. Poderia falar dos beijos sincronizados que sincronizaram-se depois de 1 mês e pouquinho. Talvez desse até pra calcular os 1035 que já gastamos com viagens. Contaria das 2 piscadas em média numa mesa de restaurante com outras pessoas. Falaria das 2 brigas e meia. Narraria a gente dançando os 10 minutos na sala sem perturbar o vizinho de baixo porque estávamos descalços. Falaria sobre as 440 toneladas de gratidão, 830 músicas, 6 ou 7 declarações e um amor com toda infinidade que vai do 0 ao 1. Mas o melhor continua sendo incontável, com todo duplo sentido cabível. É que, apesar das controvérsias, above us, only words.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Seu Engenheiro

Se for pra desestruturar a casa, a gente vai morar no céu... como estrelas eternas amantes.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Tempo ou sorte


Não sabia que eu precisava de uma coisa nova pra lembrar o que sou. Ou reinventar? Passei batom vermelho pra continuar inteiro a noite toda. Nunca estive tão decidida na minha vida. Nunca me entreguei tanto à mim. E foi um caminho tão bonito que sou apaixonada pela minha própria história. Mesmo sem grandes novidades. Mesmo com um tanto de dor. As pessoas que mais me fizeram ver o mundo diferente são as mesmas em diferentes épocas. E eu acho isso tão incrível... e dentre os mais importantes, foi como se em meados da minha adolescência ele aparecesse e dissesse "isso existe, mas nós ainda não temos capacidade de despertar da melhor forma. Vai viver, e a gente se encontra". E ainda tem o fato de que no auge da minha infância, eu já era apaixonadinha pelo pretinho. Nem nunca falei isso pra ninguém. O último passou. Assim como muitos amigos. Melhor coisa que a vida já fez por mim. Porque um dia a gente aprende, que por mais clichê que seja, "quem tem que ficar, fica". E eu aprendi um tanto. Em outros corpos, bocas, almas, conversas. E foi sufoco pra nos ajustarmos. Pra eu me ajustar, sobretudo. Permitir-me e persistência são coisas que sempre me causaram medo e preguiça, respectivamente. De repente, me senti segura pra ser os dois. Minha liberdade abraçou uma outra. E continuou livre. De coração: Deus, se você existir, desce aqui pra eu te dar um beijo. Porque não pode ter sido só eu.

domingo, 13 de abril de 2014

Sereníssima

Por favor, amor, acredite, não há palavras pra explicar o que eu sinto...

Leve. Depois de muito tempo, as coisas parecem estar onde deviam estar. Equilíbrio, sabe? Acho que, no fundo, é isso que a gente procura sempre. Eu, que tive um coração doido desde o início das sessões de cinema de mãos dadas, permiti só nos dias de hoje - uns 6 anos depois - deixar Alguém cuidar de mim. Sem pesar e sem pedir. Encontrei um lugar seguro pra depositar minhas dores. Escrevi menos, esperei menos, vivi mais. E agora minha leveza aglomera-se no abraço que meus braços alcançam, que meu corpo encaixa, que minha boca tem sede, que minha alma agradece. No olhar, que pode ser o mais maldoso do mundo, se quiser, mas que me passa a melhor sensação de segurança. No passar de mão preciso na minha cintura, que começa leve e me puxa pra mais perto com força. Nas mãos dadas, que até hoje não se acostumaram completamente em se entrelaçar. No cafuné preocupado. No mistério dos pensamentos. Na frase que começa com "baby" e quase sempre vem seguida de uma afirmação ou pergunta inesperada - exceto o boa noite. Na delicadeza de encontrar a melhor posição pra dois esparramados e preguiçosos amantes da cama. Na música, no texto, no vídeo que precisam ser compartilhados. Na cozinha bagunçada, no lavar de louças com beijinhos, nos papeis no chão, no banho fervendo, na viagem que (não) chega. Numa metáfora medíocre, ele é aquele passarinho que eu deixo a água e torço pra vir tomar... e ele vem. Tem ficado. Talvez um dia queira morar em mim. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Feliz idade

A única dor que eu sinto agora é uma maldita cólica lembrando que estou viva. Que semana. Estou feliz. Em todos os campos da minha vida. Sem o "mais ou menos", finalmente saí do estado de redoma. Apesar de parecer óbvio, a gente é o que escolher ser. 
Descobri ontem que "as obviedades podem ser muito reveladoras". E não é que é verdade? Por isso, declaro as minhas: estou completamente satisfeita com meu par romântico, minha família é incrível e eu não sei o que seria de mim sem tal compreensão tamanha, é lindo perceber que com amigo de verdade vai ser sempre a mesma coisa e que meu abraço em São Paulo tem sido recíproco, mesmo com os eventuais tapinhas nas costas. 
Ainda desconfio do mundo bonzinho demais comigo, quem não? Mas apesar de eu quase sempre me esforçar pra prestar atenção no "aqui e agora", tem sido involuntário. As coisas aconteceram quando eu finalmente decidi abrir mão e deixar elas morrerem. Eu fiz o possível pra isso tudo, mas ainda acredito que os méritos também foram de tanta gente que esteve comigo que eu só posso me considerar extremamente sortuda. Ou iluminada, como me ensinou o candeeiro. 
Talvez eu tenha descoberto tarde demais, mas o suficiente para ficar feliz por um tempo recorde: as coisas estão ao nosso favor. Não ao meu. Ao de quem quiser. Que a gente queira. Sempre. Porque o caminho é mais importante que a chegada.