quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Desconfiada

Desconfio de que o pior sentimento do mundo seja a falta. Sentir falta. Falta de reconhecimento, falta de atenção, falta de presença. Desconfiava de que - o pior sentimento do mundo - era a culpa, mas o que é a culpa, senão a falta de perdão? Desconfio de que ou eu sou extremamente idiota ou humanamente incrível. E um está mais perto do outro do que pensava. Desconfio de que não é amor, se há indiferença. Desconfio de que sou muito mais paciente do que a maioria das pessoas. Desconfio de quem diminui o outro para ser maior. E é. Desconfio da agressividade gratuita. Desconfio de que gosto de sofrer, mas prefiro muito mais a reconciliação. Desconfio de que minha Liberdade é do tamanho da minha vontade, mas que nenhuma pode mandar. Desconfio de que eu amo alguém mais do que a mim. Desconfio de que estou fodida.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Criatura

Acho que eu descobri meu problema com (os meus) aniversários. Eu não gosto de ser o centro das atenções. A não ser quando tenho um palco pra um ballet muito bem ensaiado. O problema é que eu não nasci para ser presenteada (e não há - quase - nenhum drama nisso) e sim presentear. Nasci para mostrar pessoas incríveis, obras incríveis, acontecimentos incríveis. Bons ou não. Que o mundo saiba disso. Acredite ou recuse isso. Eu nasci para fazer os outros brilharem. Para ajudar, mostrar, divulgar, reclamar, melhorar.  Tão autocrítica, que eu não suportaria uma profissão que o foco não fosse o outro. E apesar de tudo, tão (m)eu. Cada construção de pensamento, palavra no lugar ou fora dele. Eu sou o que as pessoas são, fazem, pensam, sentem, querem. Uma vez, um amigo me disse que achava publicidade uma das piores profissões, porque a pessoa não fazia nada próprio. Daí me lembrei da palavra que Lucas me ensinou: Poiesis... “a minha criação, na qual crio a mim mesmo na medida em que crio no mundo”. Tudo que fazemos é criação. E esse tanto de vida (preguiçosa, talvez, mas ainda assim vida) só é possível por vocês, por suas criações, minhas, nossas. 

Talvez falte coragem para o foco ser eu. 

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Gente de 25 de agosto

São Paulo, 13 de agosto de 2014

Gui,

Te escrevo porque quero me explicar. A gente se entende se explicando. Ou eu, pelo menos. Às vezes não entendo nada, também, mas é uma tentativa. Ou uma exposição e reconhecimento de problemas e isso já é um grande avanço. Além disso, eu sei que você vai tentar me entender. Se não concordar, você entende. Sempre. E sabe, tem poucas pessoas dispostas a me entender ao meu redor. Eu tenho sentido falta de colo, carinho, declaração, compreensão, abraço. Sei que é bem autoajuda, só que é muito fácil me amar quando mereço. Eu queria que alguém pegasse na mão, me colocasse no colo e dissesse “vai passar”. Mesmo eu estando insuportável e tendo plena noção disso. Não quero isso de você. Até porque somos sem jeito demais pra contatos físicos. Mas, no fundo, bastaria um olhar atento – o que eu acho que estou tendo agora. Literatura me salva.
Eu lembrei de você especialmente porque saí escutando The XX e aí passou a música do seu filme. Tava um frio do caralho. E aquela música, e aquelas pessoas, e tudo, sabe. Cenário de início de curta que termina com final triste. Eu estava passando muito mal. (Ainda estou, mas agora tenho coberta, pelo menos). Um mal equilibrado... pela primeira vez na semana, meu corpo se equilibrava com todas as minhas dores interiores. Tudo doeu. Tudo. Da pontinha do pé ao fio de cabelo. Da pontinha do nariz até o núcleo da minha alma - se é que isso existe. E eu não tinha forças para chorar. Sabe aquele choro pra dentro? Orgulhoso, inadmissível, dolorido.
Os últimos dias foram ruins, Gui. (Eu sei que você não gosta muito desse apelido, mas ainda não consegui encontrar um outro). Uma eterna montanha russa que eu não sei onde vai parar. E eu estou com medo. Desde que a gente conversou (há sete meses atrás), muita coisa aconteceu. Muita coisa que ninguém entende, não quer entender ou não se importa. Aqui dentro, inclusive. 
Num momento muito triste da minha vida, foi você quem me ajudou colocar os pontos no i. E só eu sei o quanto isso foi necessário e bom. Sinto falta de pessoas como você aqui. As pessoas são muito profissionais, quadradas, “é a vida”, sabe? Aquilo de vou pra São Paulo ser perfeita. O problema é esse. Acho que o erro sou eu. Eu sou igualzinha todo mundo e não admito.
Desculpa, você não vai entender nada. Só que pra eu falar assim, tu sabe: é amor. É ele, sempre. A pessoa que me ensinou chorar de alegria. Agora tá doendo, Gui. Menos que aquela vez, mas ainda é chato, é urgente. E eu não sei o que fazer. Poucas pessoas entenderiam, poucas pessoas acompanharam, poucas pessoas sabem. Talvez eu só queria mesmo colocar aquele plano da dança em prática e deixar isso ser. Deixar isso explicar. O problema é que preciso me cuidar. Minhas forças estão acabando e eu sou orgulhosa demais pra pedir ajuda.
Vamos tomar um vinho, quando der. Enquanto isso, te escrevo minhas histórias – aqui, na cabeça – pra quem sabe, um dia, te contar. Eu espero que você esteja bem. Sempre gosto de saber de você.

De mim, que tanto te admiro... toda sorte do mundo!
Obrigada,

Fernanda  

P.S.: Eu odeio meu aniversário, não sei se você também... torço para que esteja sobrevivendo ao inferno astral.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Todo o subjetivo da objetividade. Não tem segredo.

O mundo é um moinho. Quando tá escuro e ninguém te ouve. Abismo que cavastes com teus pés. Piscina cheia de ratos. Ideias não correspondem aos fatos. Eu vejo o futuro repetir o passado. A qualquer distância o outro te alcança. Something wrong. Now I long for yesterday. Você está vendo o que está acontecendo. Vida louca, vida. E são tantas marcas que já fazem parte do que sou agora. And anytime you feel the pain. Refrain. Guerra. Matando a sede na saliva. De você sei quase nada. Pra onde vai ou porque veio. Que culpa a gente tem, meu bem? Me sinto só. Volto ao jardim com a certeza que devo chorar. Vou me esquecer de mim, e você, se puder, não me esqueça. João de Barro, eu te entendo agora... Não digo que não me surpreendi. Não basta o compromisso, vale mais o coração. Descobrir o mundo juntos. The best I ever had. Meu desejo e seu bom senso, raivosos feito cães. Somos dois contra a parede e tudo tem três lados. Nem olhando assim mais perto consigo ver porque tá tudo tão incerto. E eu pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida. E aí, quais são seus planos? Show me the way. Pensando ao contrário, a vida ensina. Como se sente? Desculpa o auê. Coração na mão como um refrão de bolero. Quem sabe a vida é não sonhar...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Bad timing

O coração começa a bater por bater. Forte, incansável, medroso, rápido. O tempo inteiro, o dia todo. E a gente deixa ele ser tudo (e somente) que vive. Porque eu, de vez em quando, canso. Muito. E meu movimento não é involuntário. Então... desisto. De tanto insistir, uma hora a gente se convence. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

His

My cause.

I stand here. Eyes open in the dark. My heart pounding. My mind drifting. Drifting from you, to something else, and back to you. I am feeling the same way we feel when we started, you know? That sensation that no matter how long I stay with you, it is not enough. That feeling when we could not wait another second to kiss each other again. I am thinking of you right now. And for the past hours, too. I can almost feel you beside me. Your warmth, your breath, your skin, your touch. Oh, your perfect touch. The touch that makes me shiver and hope it never ends. And my body is responding. Incredibly responding. And I only want to be with you. To uncomfortably share a single's bed with you. Have your weight over me. To look at you as close as possible. To check every single move. Every single body twitch. To see you smile. The smile you give me when you are too shy to keep staring, and wants me to stop, and that only makes me want to get closer. I am loving to be with you. I am loving the way we are and the way you deal with me. I love almost everything about you. And I want to keep you beside me. I want you.