domingo, 13 de abril de 2014

Sereníssima

Por favor, amor, acredite, não há palavras pra explicar o que eu sinto...

Leve. Depois de muito tempo, as coisas parecem estar onde deviam estar. Equilíbrio, sabe? Acho que, no fundo, é isso que a gente procura sempre. Eu, que tive um coração doido desde o início das sessões de cinema de mãos dadas, permiti só nos dias de hoje - uns 6 anos depois - deixar Alguém cuidar de mim. Sem pesar e sem pedir. Encontrei um lugar seguro pra depositar minhas dores. Escrevi menos, esperei menos, vivi mais. E agora minha leveza aglomera-se no abraço que meus braços alcançam, que meu corpo encaixa, que minha boca tem sede, que minha alma agradece. No olhar, que pode ser o mais maldoso do mundo, se quiser, mas que me passa a melhor sensação de segurança. No passar de mão preciso na minha cintura, que começa leve e me puxa pra mais perto com força. Nas mãos dadas, que até hoje não se acostumaram completamente em se entrelaçar. No cafuné preocupado. No mistério dos pensamentos. Na frase que começa com "baby" e quase sempre vem seguida de uma afirmação ou pergunta inesperada - exceto o boa noite. Na delicadeza de encontrar a melhor posição pra dois esparramados e preguiçosos amantes da cama. Na música, no texto, no vídeo que precisam ser compartilhados. Na cozinha bagunçada, no lavar de louças com beijinhos, nos papeis no chão, no banho fervendo, na viagem que (não) chega. Numa metáfora medíocre, ele é aquele passarinho que eu deixo a água e torço pra vir tomar... e ele vem. Tem ficado. Talvez um dia queira morar em mim. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Feliz idade

A única dor que eu sinto agora é uma maldita cólica lembrando que estou viva. Que semana. Estou feliz. Em todos os campos da minha vida. Sem o "mais ou menos", finalmente saí do estado de redoma. Apesar de parecer óbvio, a gente é o que escolher ser. 
Descobri ontem que "as obviedades podem ser muito reveladoras". E não é que é verdade? Por isso, declaro as minhas: estou completamente satisfeita com meu par romântico, minha família é incrível e eu não sei o que seria de mim sem tal compreensão tamanha, é lindo perceber que com amigo de verdade vai ser sempre a mesma coisa e que meu abraço em São Paulo tem sido recíproco, mesmo com os eventuais tapinhas nas costas. 
Ainda desconfio do mundo bonzinho demais comigo, quem não? Mas apesar de eu quase sempre me esforçar pra prestar atenção no "aqui e agora", tem sido involuntário. As coisas aconteceram quando eu finalmente decidi abrir mão e deixar elas morrerem. Eu fiz o possível pra isso tudo, mas ainda acredito que os méritos também foram de tanta gente que esteve comigo que eu só posso me considerar extremamente sortuda. Ou iluminada, como me ensinou o candeeiro. 
Talvez eu tenha descoberto tarde demais, mas o suficiente para ficar feliz por um tempo recorde: as coisas estão ao nosso favor. Não ao meu. Ao de quem quiser. Que a gente queira. Sempre. Porque o caminho é mais importante que a chegada. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Tecnicamente

Tecnicamente, não éramos nada. Sem definições. Na ideia, reticências. Nossas ações baseavam-se em instinto, manifestação sexual, dependências hormonais, pele, tato, língua, saliva, suor, cérebro. Cérebro de novo. Diálogos. Zonas erógenas. Boa noite, bom dia. E ela? Tecnicamente, não éramos nada. Tudo bem, tudo mal, tomar uma decisão, tá difícil. Acabou. Voltou. E agora? Vida, arte, Deus, memória, família, ajuda, anjo, vestibular, emprego. Tecnicamente, nome e sobrenome. Pequena, lindo e baby não tão técnico assim. Tecnicamente, duas pessoas independentes. Passagem, avião, viagem, hotel, casa. A dor se fez desnecessária, tecnicamente. O drama, o talvez e o não também. Aeroporto, 36 passos. Um mais um igual a dois ou sempre mais que dois? Sem técnica, loucura. Com, alívio. Sobre a mistura, segredo. Sexoliberdadefúria. Técnica? Visualizado às 12:03. Ignora. Digitando... Alguém falou sobre sentir? Tecnicamente, nada. Só uma pergunta: o que a gente faz com a metáfora do pôr-do-sol e a luz e o dia seguinte? Bem, tecnicamente, é só uma estrela se ocultando no oeste no fim do dia...

Ele técnica, eu metáfora. 
Ele números, eu palavras. 
Ele fúria, eu sossego.
Ele pedra, eu apego. 
Ele fim, eu recomeço.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Clementine

Escolhi cuidadosamente o vestido do primeiro dia. Para começar e terminar, achei ideal. Esforcei-me para ficar atenta e escutar todo mundo mais do que minha voz interior o xingando, o amando, o odiando, o desprezando, o querendo, o rejeitando tanto. Tanto que eu só soube ser extremamente estranha, tentando parecer normal quando eu estava péssima. E lembrei do poema de Bukowski, e lembrei do quanto sou idiota, e fiquei indignada por me importar. Na mesa, leviandades. Eu não sei disfarçar. Minhas olheiras e meu corpo não negam. Eu rezei tanto pra isso ser ser um trauma daqueles que a mente bloqueia e a gente não lembra de nada mais, sabe? Quis tanto o encontrar na rua, achar bonito, e não ter nada pra lembrar... só pensar "ele podia ser o amor da minha vida" e deixar passar, como tantos passaram. E deixar passar, porque não vale a pena. Deixar passar, porque eu não aceito mais isso. E não doer nadinha, porque eu nunca o conheceria. Talvez assim eu acreditasse em alguma coisa de novo. Em mim, principalmente.

Se conselho fosse bom

E aí eu lembro do melhor conselho que já recebi na vida num momento parecido: olha o quanto você está aprendendo ou aprendeu com isso. Mas e se eu não quiser aprender mais nada? Se eu quiser ficar aqui, parada? Nem pra frente, nem pra trás... porque eu estava exatamente onde queria estar e com quem queria estar. Agora eu aprendi, cresci, evoluí, amadureci. Grande bosta.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Liberdade ↔ Paraíso

Eu estou perdida. Tristemente perdida. E de um jeito que não vejo nem estradas, sabe. É como se estivesse tudo escuro e eu só não pudesse parar de andar. Eu tenho tanto medo, baby. Tanto medo de tropeçar num buraco ou quebrar qualquer coisa. Eu nunca quebrei nada do meu corpo na vida, sabe? Sem essas metáforas. Quebrar de engessar, mesmo, nunquinha. Tenho certeza que ninguém me seguraria caso eu caísse aqui agora. Aquilo de live together, die alone faz todo sentido. Não acho triste admitir isso. (...) Sabe o que eu queria mesmo? Parar. Pedir pro mundo um segundo de descanso. Desses que a gente não pensa, não respira, não sente. A gente podia ter isso. Acho de grande utilidade. Mas no lugar, temos um apêndice! Não precisamos, mas tá lá. E pode dar muito problema. Isso explica muita coisa se você pensar direito.